Nunca tive a oportunidade de ingressar-me em uma
escola renomada de idiomas e assim, ficar fluente antes dos vinte aninhos de
idade. A sociedade incorpora e reverbera uma série de exigências quanto a isso.
Como se, muitas das vezes, boa parte de nossa reserva cognitiva dependesse
disso.
De fato se expressar em outra língua conta como um
elemento facilitador para novas amizades (tive a experiência de receber uma
francesa a pedido de uma docente do meu curso e isso foi maravilhoso), para novas
janelas no mundo acadêmico e evidentemente, novas portas no mercado de
trabalho. Mas a gente só consegue se enfiar nisso quando nos são dadas
CONDIÇÕES para tal.
Apesar de passar os meus olhos em algumas escolas
particulares devido à minha aprovação no intercâmbio para a Europa, não deixei
de recorrer ao sistema de gratuidade que ainda existe na minha universidade. E
por ser considerado carente após toda uma exaustiva análise de documentos,
consegui uma bolsa no CAAP IDIOMAS. Ele me proporcionou um primeiro semestre
letivo de muito gás e sede em assimilar o inglês. Fiz diariamente exercícios no
site DUOLINGO e semanalmente eu cumpri com as atividades que o professor
passava. E que professor! Um mestre de tirar o fôlego e que não nos permite pestanejar.
Paguei os materiais didáticos com alegria e encarei
o primeiro módulo básico na tentativa de passar a entender o mínimo possível da
língua. Incorporei o método que recorri na época em que aprendi LIBRAS. NÃO TER
MEDO! Já no segundo semestre não tive essas mesmas condições. Psicológico
abalado, uma carga de tarefas gigante, coincidindo com um período bem denso na
faculdade... Não rendi tanto, mas persisti, atingindo o necessário para
aprovação.
Entretanto, para a viagem que se aproxima comprei
um livro em um sebo do Centro da cidade de BH a fim de não me perder nos
ambientes em que surgir a necessidade de se falar em inglês. E com toda a
convicção que existe em meu peito, ao retornar, mesmo com tantas dificuldades (porque
até findar o curso, elas persistirão), pretendo continuar os módulos até ter
experiências mais sólidas com a língua e, assim, tornar-me mais independente. É
importantíssimo e se faz preciso em cada passo de nossas vidas. Seja na
universidade ou fora dela.
Nas
manhãs de segunda ela me fazia relembrar aspectos das disciplinas de voz,
estudadas nos semestres anteriores. Porém, mais ousada que todas! Com vestígios
de áreas que não pertencem à Fonoaudiologia, e embora estivéssemos exaustos de
tantos trabalhos e provas complexas, era o nosso momento de ampliar os
horizontes para o marketing, para a administração, para o empreendimento. Uma
mensagem de alerta aos nossos corações sobre o que seguir na profissão e como
portar-se diante de um empreendimento próprio. Voz profissional, apesar de ser
guiada por vezes de um modo bem confuso,
uma experiência bem diferente das outras. Sutilmente
os conteúdos de neuroanato e neurologia reapareciam. Pacientes afásicos instigavam-se
sempre na tentativa de bolar uma estratégia bem eficaz para resolver o
acometimento da linguagem oral e escrita. Este paciente, especialmente, fez-me
relembrar o atendimento de um afásico que assisti de pertinho ainda no ciclo
básico. Atendimento que repercutiu em elogios no trabalho de Fisio aplicada à
fono e que me preencheu inteiramente de satisfação. A primeira hora da semana
de ser verdadeiramente um fonoaudiólogo. Prática de linguagem adulto. O
dia findava quando essa disciplina resolvia aparecer. Exausto eu assistia o fim
do curso de perto, por meio das apresentações dos colegas de classe. Relatos
riquíssimos e apresentações bem elaboradas, em função das atividades propostas.
A Discussão de casos clínicos também sugeria um instante de voltar em certas
lembranças, em certas falas e em determinados aprendizados, para fechar bem a
compreensão sobre determinados tópicos. Ali todas as áreas da fono,
praticamente, se encontravam. Aos poucos, sua ousadia em aparecer em pleno fim
de tarde, ia sendo amenizada. Uma
docente que inspirou. Ela foi uma das pessoas que fez-me movimentar em um
semestre letivo onde todo o cansaço físico possível resolveu
manifestar-se. O Envelhecimento tornou-se poesia nas manhãs de terça e a forma como
foi levado me reconfortou enquanto pode. Talvez ela não saiba o quanto, mas me
foi útil de uma maneira espetacular. Santo
Deus! Senti-me entre a cruz e a espada. Fazer uma prova final em que seria
definido o tudo ou o nada foi tarefa difícil. Quando todos já estavam
praticamente em clima de férias, ainda apareci naquela faculdade deserta e inabitada. As
preces reverberaram e a aprovação também resolveu acontecer em territórios de
Prática de Avaliação Vestibular. Foi por pouco, mas deu! Uma daquelas
fases da semana em que nos perguntamos o motivo de estarmos ali. Se aquilo é
realmente necessário. Agora, uma coisa precisa ficar clara e evidente por aqui.
A higienização das mãos foi o para casa que passou a ser muito bem feito
enquanto profissional da saúde. E algumas das séries de Grey’s Anatomy foram
relembradas e vividas com muito vigor. Ética profissional e seus
questionamentos em meio às inúmeras preocupações de um semestre que não estava
sendo de Deus. Sério, “de verdade, de verdade”. A
Linguagem Neurogênica e os mistérios que resolveram reaparecer dentro de mim. O
Sistema Nervoso Central e suas áreas acometidas. Várias etiologias e várias
manifestações lingüísticas. Não foi fácil conviver com ela e o medo em não dar
conta, perseguiu-me desde o princípio. Tava difícil, tava incerto. Mas
foi! O hemisfério direito fez-me sentir a segurança que faltava e o total
naquele trabalho feito com horas de dedicação, foi o último gosto que minhas
papilas gustativas puderam sentir. Avaliação e intervenção nos distúrbios da
linguagem neurogênica. Tanta coisa pra assimilar, associar e uma pressão que
quase me fez cair por aqui também. Que tal uma terapia dentro da
própria classe? A poesia que me abraçava nas manhãs de terça aparecia nos
inícios de tarde de quarta-feira. Por vezes meu corpo se entregava pro cansaço.
Entretanto, um laço para com aquela professora que tornou-se tão querida.
Tópicos em Fono B e a fonoaudiologia esmiuçada em protocolos, testes e
avaliações. Eu
sei que em você existe uma poesia, um jeito de ser extramamente inerente à
ciência da Fonoaudiologia e à humanização que necessárias para atender
pacientes com disfagia. Mas os erros, a minha desatenção e a minha passagem
enganosa a um exame final sem necessidade alguma mexeram com o meu psicológico.
Passei a questionar a própria fisiologia da deglutição mencionando-a por vezes
como “invasiva, desgastante, por puríssimo pecado, desnecessária...”. Crueldade
a minha seria continuar pensando assim depois que toda a tempestade havia se
passado. Fissura e disfagia orofaríngea, ambulatório, aí vou eu! Distúrbios
da linguagem oral me transportou para a época de estagiário nas escolas. A
subjetividade que ainda resta no curso materializada em uma só professora. Sei
que seu jeitinho é criticado e ousado demais. Mas ela me conforta. Sinto que
não vivi a disciplina como nos períodos três e quatro, mas a amei. De uma
maneira peculiar, mas a amei bastante. Pelo menos, foi-se e por aqui, quinta de
manhã, tudo ficará mais tranqüilo! Tantos
aspectos de motricidade orofacial foram discutidos. A segunda hora da semana em
que era preciso ser fonoaudiólogo. Apenas uma observação para me fazer
precipitadamente vislumbrar o que seria de mim em pleno sétimo período de
curso. Seu término cansou-me fortemente, mas eu a venci. Prática em MO I,
distúrbios da MO. Marte
desceu á Terra. Aparelhos de amplificação sonora e individual antecediam meu
compromisso do projeto Viva Sorriso. Palestras e acúmulo de estresse de toda
uma semana e preocupação com as relações interpessoais. Por sorte, acabou! Deu
certo! Adentrar
o Hospital das Clínicas às quintas pela tarde só se tornou algo mais suave pra
mim pela companhia de uma querida pessoa. Pessoa que torço demais pelo sucesso
profissional e em todas as áreas da vida que possam ser citadas. Não vivi dias
bons na reta final, mas deixar o II módulo para trás, me alegra bastante. As
notícias novas para o 6º e 7º períodos ressaltaram pra mim o quanto NENHUM
CONHECIMENTO pode ser jogado fora. LIBRAS (Cenex Fale UGMH), psicologia escolar
(LECAMPO UFMG) e epidemiologia (Técnico em meio ambiente) dispensadas.
Aliviando meu 6º período e me presenteando antes mesmo de 2017 resolver
aparecer por aqui. Que alegria depois de tanto sufoco! Mais um ano de
FONOAUDIOLOGIA.
Lucas Teles, às 23:22 do dia 30 de
dezembro de 2015.
Difícilelencar os tópicos mais importantes para concretizar essa legenda. É tanto sentimento mesclado que o receio em deixar algum item essencial de lado é gigante. Mas preciso tentar, pois o ano está terminando e você foi peça chave para que tudo acontecesse dentro do esperado. Me tranquilizando, me apoiando, me deixando ainda mais feliz. Sua poesia me encanta todos os dias. Essa subjetividade que parece escapulir de sua epiderme me alcança de tal forma que é quase impossível explicar. Nosso contato abençoado me restabelece e você me faz sentir um novo desejo de tentar. Tudo porque somos a companhia um do outro. Tudo porque sentimos muitas vezes que, apesar de falar com várias pessoas, por vezes nos sentimos só. Uma solidão no meio de todo mundo. Nós nos estranhamos às vezes em função do ousado ciúmes, mas essa nossa semelhança e esse nosso vínculo nos une incrivelmente. E é esse o meu desejo para os próximos passos universitários. Que possamos experimentar ainda mais e completamente unidos a dádiva que é viver a AMIZADE. Esse "amor que nunca morre". Obrigado menina mulher, mulher menina. Obrigado por me proporcionar ser eu mesmo em meio a tantas exigências rotineiras e tarefas mil. Você é LINDA por dentro e de brinde nos agracia com essa beleza externa. Cuide-se sempre. Isso me importa MUITO!
Lucas confesso que estou lendo esse texto pela milésima vez e ainda não consegui me estruturar psicologicamente para expressar o tanto que você significa para mim e respondê-lo à altura. Sentir o salgado de lágrimas em minha boca por um motivo tão doce é tanto contraditório quanto encantador. Nós dois sabemos que essa amizade já havia sido planejada por Deus antes mesmo de termos nosso contato ampliado. Eu sempre bato na tecla de que existe algo muito mais significativo do que anos de convivência. Algo que não conseguimos explicar, mensurar, mas que é impossível não saber quando acontece tão pouco deixar de sentir. Algo que nos conecta de tal forma à alguém como se nos conhecêssemos de outras vidas (se é que elas existem). Essa conexão aconteceu com a gente e eu soube dela desde o primeiro dia em que te vi. É lindo isso! E é isso que torna uma amizade tão especial, saber que essa conexão acontece raras vezes na vida. Mesmo tendo muitos amigos, conto nos dedos com quantos vivi essa experiência de ligação. Você me cativou e se tornou único no mundo para mim! Sempre vou me lembrar de 2015 como o ano em que construí essa amizade que mudou completamente meu humor, meus dias, meus momentos. Não seria a mesma coisa sem você! Essa subjetividade que você me atribuiu se exterioriza ainda mais quando estou na sua presença. Essa intensidade de sentimentos e urgência de amar que vejo em você o torna muito parecido comigo e completamente apaixonante. Todos os meus momentos de solidão foram preenchidos pelo seu cuidado e atenção para comigo, jamais conseguirei te agradecer por isso! Por me permitir desvincular-me de uma realidade muitas vezes hostil e apavoramente, para vivenciar a experiência de estar em um mundo novo onde posso ser eu mesma, com toda a espontaneidade que necessito, e olhar à minha volta de uma forma mais profunda. Você foge de toda e qualquer superficialidade, e eu admiro muito isso! Jamais perca esse olhar poético sobre a vida. Hoje digo sem margem de erro que eu não seria tão feliz e segura quanto à minha identidade se não fosse você. Os dias seriam mais vazios e cinzentos. Continue atribuindo significado à minhas palavras, jeitos e momentos. Eu amo você de uma forma tão sincera que me emociono ao pensar que consigo amar tão verdadeiramente alguém! Obrigada pela amizade, confiança, por ser quem você é e por me permitir ter acesso à isso! Tenho certeza de que independente dos contratempos e desencontros, o que sentimos e vivenciamos dentro da nossa amizade vai permanecer dentro de nós!
Meu bem, quanta coisa li aqui neste seu comentário e você não tem noção do bem que causou com tamanha declaração. A resposta disso tudo é continuarmos nossas caminhadas coladinhos um no outro com os pilares que já sustentam o nosso vínculo. Respeito, companhia, carinho e muito mais. Amo-te, sim? Nunca se esqueça disso. Aproveite muito as suas férias descansando alma e corpo. Volte renovada e respire novos ares em 2016 contando sempre comigo, ok?